2020 mal começou, chances da WWIII ocorrer, e enquanto muitos estavam na praia tomando aquela merecida cervejinha, bom, eu estava na praia já que moro onde as pessoas fazem turismo! Mas sem descanso, estou planejando um curso chamado Startup-Se, que é sobre noções básicas de como sair da ideia a um produto, e ter alguns pilares para aquele kick off com menos erros.

O que me inspirou a este curso é justamente o dia a dia no escritório, vendo tantos clientes e possíveis clientes nos procurando com projetos que claramente não darão certo pela ausência de profissionalismo mínimo, de organização, e muitas vezes até de noções básicas.

Em especial neste nicho de mercado de criptomoedas e Blockchain. Percebe-se com extrema rapidez certos padrões: equipes de engenheiros de software, sem ideia do que seja gestão, e se falar em equipe multidisciplinar para eles, então… E, como todo Ó Criador, seus produtos são supremos, “the code is law”, e são extremamente revolucionários, disruptivos. Os clientes tem que amar, apenas porque sim.

Essa arrogância característica faz com que estas empresas acabem se enforcando nos próprios erros. Erros comuns, inclusive. Bastaria ir no SEBRAE e boa parte destes erros seriam sanados.

Mas não bastasse fosse apenas isso, tem outro elemento importante nessas características de nicho. A leitura superficial de Satoshi Nakamoto, somado à arrogância e prepotência faz com que rapidamente todos tenham encontrado Deus, explico: os pilares de privacidade e criptografia, para desvinculação do sistema bancário por meio do Bitcoin flerta com o anarco-capitalismo, que de certa maneira muito se aproxima dos ideais joviais socialistas, quer dizer, refiro-me à mesma paixão de quando se é jovem, com visões utópicas sobre o mundo, e se acredita na possibilidade de mudança. Até que a gente cresce, começa a pagar boletos, e conforme crescemos em nossas profissões o poder do consumismo selvagem toma os nossos corações.

Estas características cegam os empreendedores de tal modo a mantê-los no amadorismo, sem mesmo preocupar-se em olhar para o ladinho, onde o mercado tradicional (sim, pois o mercado de criptomoedas e Blockchain se julga à margem da sociedade, desprezado e diferentão) já percorreu várias vezes a difícil trilha do empresariado.

E sim, custa aos empreendedores criptográficos olhar para o lado e espiar como já foi feito, pois em muitas (e todas às vezes) terão que aceitar e assumir as regras que uma sociedade mais velha já fez e impõe. Não só isso, mas também acabam esquecendo que essa mesma sociedade velha já desvendou alguns caminhos, trilhas e atalhos. Processos ágeis e mais eficientes.

E o Estado? Aquele malvadão. É, esse mesmo quando por muito desprezado, em algum momento ele vai aparecer, e quando isso ocorrer, se a empresa não estiver correta (conforme o Estado), então não adianta se esconder, aqui ou acolá, pois ele vai te pegar.